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Posts Tagged ‘paixão’

Ontem eu perdi minha carona pra voltar do trabalho, que fica na Barra da Tijuca. E tinha marcado de encontrar umas amigas em Ipanema. Tive que ir direto pra lá, sem passar em casa e tomar um banho básico. Lamentável.

Por isso, às 19 horas estava pegando um ônibus que iria levar uma hora e meia pra me deixar no meu destino. Coisa que pode enlouquecer uma pessoa. Peguei meu livrinho ( Slam, do Nick Hornby) e fui. O ônibus até tinha ar condicionado e tal, mas realmente esse tempo todo no trânsito é brabo. Doem as costas, a cabeça e você fica com vontade de chorar.

Era mais ou menos assim que eu me sentia quando levantei do banco para descer no ponto. No entanto, quando saí daquele ambiente fechado e respirei o ar marítimo, tudo mudou. De repente as costas doeram menos e a viagem não parecia ter sido tão cansativa. Aquele ar salgado traz uma coisa dentro do peito que não dá para explicar.

Viver no Rio de Janeiro tem dessas coisas. Acho que não há outro lugar no mundo em que se possa dizer algo assim. Deus sabe como eu sou feliz por ter nascido aqui!

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Eu nasci e cresci no Rio. Tirando os seis meses durante os quais estudei fora do Brasil, não tenho experiência de morar em nenhuma outra cidade. Até tenho muita vontade. Ainda vou passar um tempo em São Paulo. E também quero morar em Paris. Não por toda a vida. Voltarei sempre para os braços do Rio de Janeiro.

Então, posso dizer que sou carioca. Carioquíssima. Da melhor (ou pior) espécie. Visto a camisa: não admito que falem mal, não morro de medo de violência. Moro na Zona Norte, mas o meu sonho imobiliário é um apartamento na Prudente de Moraes. Apesar de ter visto um número de cidades pelo mundo afora, e saber que ainda há muita coisa para se ver, fato é que não há cidade com a qual eu compare o Rio. Meu Rio.

É claro que, como eu qualquer relação, eu sei que meu parceiro não é perfeito. Mesmo não sendo humano. Porém, acredito que a maior parte de seus problemas não é culpa dele. De si mesmo, ele dá o melhor: o clima, a geografia, a localização, os filhos de suas entranhas. O Rio não é dado a desastres naturais, não esfria demais (mas pode esquentar um bocado). E lindo, todos têm que concordar, que ele continua sendo.

E eu sou completamente apaixonada por ele! Gosto dos seus calores, de sua aparência, de sua alma e de seu intelecto. Gosto do jeito que me sinto dentro dele. Da maneira como fico feliz ao conhecer um aspecto seu que ainda não conhecia. De me sentir totalmente em casa, apenas por pisar em seu solo, mesmo depois de meses fora. Aliás, sinto-me ligada a ele mesmo distante dele. Gosto de perceber seu sotaque, suas gírias e seus trejeitos. Amo suas cores e seu jeito despojado de ser. Me identifico com sua arte e com suas praias.

Eu digo – com orgulho – “o Rio de Janeiro é a minha cidade”. Porém, o pronome possessivo não poderia estar sendo mais mal usado. O Rio não me pertence. Eu pertenço a ele.

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