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Posts Tagged ‘ingratidão’

A minha última semana de vida foi muito cansativa. Em todos os sentidos. Trabalhei, literalmente, por duas; e, ainda, estive com uma ressaca espiritual (se é que isso existe!) daquelas.

Na sexta, o último dos fatídicos dias, acordei atrasada, considerando que deveria chegar mais cedo que o normal no trabalho. Tive que pegar um ônibus a mais (o que acabou sendo vão) e o trajeto de mais ou menos meia hora até metade do caminho foi um tanto… como dizer?… “animado”.

Antes de prosseguir, preciso fazer uma confissão: eu sou uma reclamona. Sou mesmo. E se tem uma coisa que sei fazer bem é reclamar (talvez pelos anos de prática)! Posso fazer a reclamação até soar cômica. Faço uso de vocabulário irônico, entonação, choramingos… enfim. Um grande espetáculo.

Então, naquela sexta-feira, peguei um ônibus e acabei me sentando ao lado de um senhor de seus, talvez, 50,60 anos de idade. Devo dizer que só após ter sentado ao seu lado percebi a trilha sonora que vinha…huummm…dele: “a burguesinha, burguesinha,burguesinha, burguesinhaaa”. E o repertório não tinha fim. Ele foi cantando e batucando samba o caminho inteiro. E eu sentada ao seu lado tentando ler meu livrinho.

Bem, era de se esperar que eu fosse os trinta minutos até lá reclamando. E mandando torpedos reclamões de desabafo pra quem eu soubesse que estava acordado àquela hora. Mas quer saber? Acabei não fazendo isso. Ao contrário, ele acabou me fazendo pensar sobre a minha reclamação. Porque, assim, eu sei que Deus não aprova murmuração. Porém, só o saber que Ele não gosta, nunca me impediu de fazê-lo (verdade seja dita). Sinceramente, eu nunca entendi direito porque eu não posso desabafar a minha insatisfação com o que está acontecendo num determinado momento.

Mas nesse dia eu fiquei pensando sobre o porquê de reclamar. Estava ali ao meu lado uma pessoa que, provavelmente tinha acordado mais cedo do que eu, e cuja semana de trabalho poderia e deve ter sido mais dura do que a minha. Mas ele não ia resmungando. Ia cantando. Naquele momento percebi a minha grande ingratidão. E, então, de repente, eu acho que entendi.

Na verdade, eu não posso reclamar das coisas. Naturalmente falando, tudo me vai bem: gosto do trabalho, tenho família, saúde. Enfim, algumas pessoas matariam para viver assim. Porque, então, eu tenho essa necessidade de reclamar, de buscar uma satisfação estranha? Deus me deu o dom da vida. Deus mandou Jesus, para que eu pudesse ser Sua amiga. Deus está me dando uma nova oportunidade de me dedicar inteiramente a Ele, me dando a esperança de passar a eternidade ao Seu lado.

É realmente muita ingratidão reclamar do fato de que, ao seu lado no ônibus, existe uma pessoa que canta por um motivo qualquer…

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