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No mês passado a capa da revista Época Negócios foi um homem, ou melhor, rapaz, chamado Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Chamei-o de rapaz porque o mocinho não tem nada mais, nada menos do que 25 anos. Meu pai é assinante dessa revista – ainda não entendi porquê – e por isso pude ler a reportagem, que aliás era enorme. História longa sendo muito resumida, trata-se de um garoto que assiste uma palestra ministrada por Bill Gates, resolve trancar a faculdade (Harvard, diga-se de passagem) por um tempinho com a finalidade de se dedicar a alguma coisa que fosse nova e que o tirasse do anonimato. O tempinho se tornou pra sempre, o garoto se tornou o criador do Facebook, e sua conta bancária, juntamente com seu prestígio, se multiplicaram por números astronômicos.

Atualmente, me encontro em uma fase de reflexão, do tipo: “o que fiz com minha vida até aqui?” Me pergunto isso todos os dias. E quando li a tal reportagem, não tive como não me fazer essa pergunta, principalmente pelo fato de que há dois anos não tenho mais os meus 25 aninhos. E provavelmente muitas pessoas poderiam sentir alguma coisa também. Afinal, a história é de uma pessoa que chegou ao topo muito, muito jovem; e esse tipo de história sempre nos leva a pensar que queríamos ter realizado algo grande na juventude, na vida, etc.

Sinceramente, o que mais me chamou atenção na trajetória de Mark não foi o dinheiro que ele ganhou, nem o sucesso que alcançou. A minha mente e reflexão se prenderam especialmente na ousadia de um menino de 19 anos. Ousadia de largar tudo o que tinha, pois mesmo que não fosse rico, ele tinha o status de ser estudante da Harvard, e com isso, certamente um bom e estável futuro trabalhando em alguma empresa nos EUA. Ousadia de investir tudo em um projeto que não oferecia nenhuma garantia de que daria certo. Ousadia de bater na porta de investidores e receber grandes e redondos “nãos”. Essa história poderia ter tido um final totalmente diferente, com Mark voltando para a faculdade, depois de ter perdido um bom tempo, com o rabinho entre as pernas, e se conformando com um futuro estável e mediano em alguma empresa. Mas não foi isso que aconteceu. Não havia nenhuma garantia de que daria tão certo. Não havia garantias ou promessas de se tornar bilionário. Porém, ele ousou, arriscou-se completamente e o resultado foi surpreendente.

A história de Mark me fez refletir sobre a minha covardia. Não, eu nunca tive uma grande idéia que deixei ir pelo ralo. Mas a minha covardia me fez jogar outras coisas pelo ralo: meu tempo, meus primeiros anos de juventude, minha comunhão com Deus. Hoje olho para a história de Mark e penso que queria ter tido a sua coragem. No campo do espírito, digo.

É preciso coragem para seguir a Jesus! Isso fica bem provado quando do episódio em que o moço, que tinha muito dinheiro, vai até Ele e pergunta: “Mestre, o que eu devo fazer para ter a vida eterna?”, ao que Jesus responde: “Você conhece os mandamentos, siga-os!” (parafraseando). Então o jovem Lhe diz que os tem seguido desde a infância. É depois dessa afirmação que vem a prova de coragem, quando Jesus diz ao jovem: “Sendo assim, vai, vende tudo o que você tem, pegue o dinheiro e dê aos pobres, depois venha e me siga.” O rapaz, infelizmente, não obedece e volta para casa triste. Às vezes fico imaginando porque motivo ele se vai triste. Será que sua tristeza não vinha, pelo menos em parte, por ele ter percebido que não tinha coragem? Talvez ele tenha voltado para casa pensando que não tinha coragem de ser pobre, mesmo que esse fosse o preço para passar a eternidade com Deus. Sem as suas riquezas, quem iria garantir a sua vida, o seu futuro? Talvez ele temesse passar necessidade. Talvez ele quisesse ter “comida, diversão e arte”, não visse a si mesmo sem essas coisas e temesse que andar com Cristo não o satisfizesse e, assim, passaria o resto da vida pensando naquilo que deixou para trás.

Sempre que leio esse texto, tento me colocar no lugar desse rapaz. Não que eu tenha muitas riquezas… Quer dizer, na realidade, no mundo de hoje, eu posso sim me considerar muito rica com tudo o que tenho: todas as minhas necessidades básicas estão completamente supridas, e até as minhas futilidades são relativamente satisfeitas (não digo totalmente porque o desejo pelas futilidades não tem fim). Considerando um mundo onde morre uma criança na África a cada três segundos de causas que podem ser contornadas, eu sou verdadeiramente rica! Mas esse é um assunto pra outro post…

A verdade é que Jesus não disse claramente para aquele rapaz que ele passaria necessidades. Ao contrário, no Sermão do Monte Ele deixa claro que Deus sabe de tudo o que precisamos e que suprirá essas coisas. Porém, Ele exigiu confiança, fé. Coisa que nem todos estamos dispostos a dar.

Exigimos garantias. Coisa que o Mark, do Facebook, não tinha. O mais lamentável, pra mim, é que realmente, não há garantias em relação a algumas coisas. Não sei se vou encontrar o chinelo velho para o meu pé cansado; também não há garantias de que minha carreira será bem sucedida, nem se ganharei algum dinheiro. Jesus não garante que terei saúde plena durante toda a vida; nem que darei a volta ao mundo. Essas coisas são superficiais.

No entanto, há garantias. Garantia de satisfação plena, daquelas que não se encontra no sucesso profissional. Há garantia de uma casa pela eternidade; há garantia de uma enorme família de irmãs e irmãos; há garantia de Amor verdadeiro; há garantia de misericórdia; há garantia de paz que não se pode entender; há garantia de um ver a Deus; a garantias de uma nova mente e m coração de carne; há garantia de sentir algo que vai além, muito além dos sentimentos romantizados pelos filmes de Hollywood. Há garantias muito mais profundas do que qualquer uma que outra pessoa, que não Cristo, possa me oferecer. Se eu parar pra pensar bem, não é preciso nem muita coragem…

* Inspirado em: Quando o sol bater na janela do seu quarto, da Legião Urbana.

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